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ESTIVAÇÃO: O MECANISMO USADO PELOS ANFÍBIOS PARA SOBREVIVER AO CALOR E À SECA

Texto: Carolayne Santino

Revisão: Érika M. Santana


Imagem 1 - Espécime de rã-da-Caatinga (Pleurodema diplolister) enterrada na areia apenas com seus olhos para fora, algo comum para esta espécie. Foto: Rafael Lucchesi Balestrin, 2013.



Em dias com temperaturas muito altas, principalmente durante o verão, nada como um lugar fresquinho e bastante água para lidar com o calor, não é mesmo? Porém, nós, como mamíferos humanos, não temos a necessidade extrema de, por exemplo, ficarmos enterrados na areia e sem comer por vários meses, até que a estação seca e o calor excessivo passem. Mas isso é exatamente o que acontece com algumas espécies de anfíbios anuros e chama-se estivação.

A estivação é um mecanismo fisiológico oposto à hibernação: se na hibernação alguns animais ficam inertes durante todo o inverno, na estivação os animais ficam inertes durante o verão por causa das altas temperaturas. Nesta matéria, vamos falar sobre a estivação de um sapinho aqui do Brasil que vive na Caatinga, o Pleurodema diplolister, conhecido popularmente como rã-da-Caatinga.



Imagem 2 - Rã-da-Caatinga enterrada na areia no leito do rio durante seu período de estivação. Foto: Isabel Cristina Pereira, 2006.



A estivação da rã-da-Caatinga é um tanto curiosa e diferente da maior parte das outras espécies de anuros que fazem estivação. Isso porque, enquanto outras espécies ficam inativas durante todo o tempo por vários meses e precisam formar ao redor de si uma espécie de “casulo” para reter água, a rã-da-Caatinga não fica em inatividade total e pode emergir do solo caso haja qualquer perturbação. Aqui no site do HC temos uma matéria que fala do processo de estivação com formação de “casulo”, apresentada por outra espécie. Segue o link: (https://www.herpetocapixaba.com.br/post/hot-n-cold-o-que-acontece-com-os-anf%C3%ADbios-anuros-durante-temperaturas-extremas).



Imagem 3 - Rã-da-Caatinga na areia de onde, muito provavelmente, emergiu. Note como o indivíduo está no que parece um pequeno buraco ao seu redor e seu dorso (costas) está coberto com areia. Foto: Gabriela Piovesan, 2022.



A rã-da-Caatinga fica enterrada por cerca de 10 a 11 meses. Durate este período, a estratégia desta rãzinha para encontrar água é movimentar-se cada vez mais para o fundo do solo. É importante lembrar que, em um bioma seco e semiárido como a Caatinga, há uma melhor chance da umidade estar concentrada em pontos mais profundos. Quando finalmente chega o período das chuvas, a rã-da-Caatinga emerge do solo para comer, se hidratar e procurar parceiros sexuais nos corpos d'água recém formados pela chuva. Após a reprodução, o ciclo recomeça: os filhotes irão se desenvolver, tornar-se adultos e, até que a próxima estiagem chegue, aproveitarão o curto tempo na superfície antes de se enterrarem em estivação para sobreviver.



Referências:


PEREIRA, Isabel Cristina. Aspectos Fisiológicos e Ecológicos da Estivação em Pleurodema diplolistris (Leiuperidae/Anura). 2009. 76 f. Tese (Doutorado) - Curso de Ciências Biológicas, Biociências, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2009.


SÃO PAULO. REVISTA PESQUISA FAPESP. Na enxurrada seca: sapos da caatinga têm adaptações fisiológicas para sobreviver aos meses sem chuva. Sapos da Caatinga têm adaptações fisiológicas para sobreviver aos meses sem chuva. 2010. Disponível em: https://revistapesquisa.fapesp.br/na-enxurrada-seca/. Acesso em: 18 nov. 2023.




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