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Você sabia que ainda existem dinossauros?

Texto: Carolayne Santino da Silva

Revisor: Iago Ornellas



Figura 1 - Representação ilustrativa de como seria o dinossauro Rahonavis, um tipo de terópode. Ilustração de Mario Arthur Favretto, 2010.



Num primeiro momento de leitura, pode parecer estranho ver os termos "réptil" e "ave" na mesma frase, ainda mais falando sobre ancestral comum. Se você é um desses leitores que está se perguntando agora “O que uma coisa tem a ver com a outra?”, vem com a gente nesta matéria que vamos explicar desde o início. Preparados?!

Para falarmos especificamente desses dois táxons, ou seja, desses dois grupos (no caso, répteis e aves) é preciso voltar no tempo para entendermos onde, muito provavelmente, tudo começou.


No período Carbonífero, dentro da Era Paleozoica, surgiu o primeiro ser vivo amniota, isto é, um animal cujo desenvolvimento do seu filhote (embrião) ocorre dentro do âmnio. Sabe a "bolsa amniótica" de uma mulher grávida? Pois é, estamos falando dessa membrana. O âmnio é a membrana que protege o embrião pois contém o líquido amniótico.


O fato do surgimento do ovo amniótico possibilitou a ocupação mais efetiva do ambiente terrestre e consequentemente aos seus descendentes, répteis e aves (e também mamíferos). Dessa forma, é possível dizer que esses grupos possuem um primeiro ser vivo amniota como ancestral comum.


Figura 2 - A foto mostra o fóssil réptil do possível primeiro animal amniota mais antigo encontrado. Foto: Paton, Smithson & Clack, 1999.



Na Era seguinte, Mesozoica (entre os períodos Triássico e Jurássico) temos o surgimento dos grandes répteis, sim, os dinossauros. Se você tiver prestado atenção, pôde perceber que os dinossauros já entram no grupo dos amniotas, pois houve todo um processo de evolução.


E por falar em evolução, onde as aves entram nessa história de répteis e dinossauros? A grande questão é que as aves também são répteis, e melhor ainda, são as representantes vivas dos dinossauros, portanto, é correto dizer que as aves evoluíram de répteis, porém, elas são parentes mais próximas dos mais antigos répteis do planeta (dinossauros) do que dos répteis que existem atualmente.


Figura 3 - A seta indica um ancestral terópode comum. O quadro vermelho com os três táxons dentro demonstra a proximidade entre eles. Imagem retirada do artigo “Sistemática filogenética hennigiana: revolução ou mudança no interior de um paradigma?”, 2012.



Para resumir, temos então que: o ancestral comum das aves e répteis foi um réptil amniota, porém, pelo fato das aves estarem biologicamente mais próximas dos dinossauros, um outro ancestral comum foi um dinossauro terópode, que foi de onde as aves evoluíram diretamente, lá no Período Jurássico. Não à toa, elas estão incluídas na subclasse Archosauria (que inclui os dinossauros e crocodilos) dentro da classe Reptilia.

Tudo isso pode parecer loucura, mas chama-se evolução!



Referências:


FAVRETTO, Mario Arthur. Sobre a origem das aves. Santa Catarina: Do Autor, 2010. 82 p.


RUSSO, Claudia A. M.; SALLES, Leandro O.; BRITO, Paulo. Diversidade dos Seres Vivos. 2. ed. Rio de Janeiro: Rio de Janeiro: Fundação Cecierj, 2010. 124 p.


SANTOS, Charles Morphy Dias; KLASSA, Bruna. Sistemática filogenética hennigiana: revolução ou mudança no interior de um paradigma? Scientiae Studia, São Paulo, v. 10, n. 3, p. 593-612,. 2012.


UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA JðLIO DE MESQUITA FILHO - MUSEU DE PALEONTOLOGIA E ESTRATIGRAFIA (Rio Claro). Carbonífero: o ovo amniótico. O ovo amniótico. 2023. Disponível em: http://www1.rc.unesp.br/museupaleonto/carbonifero.htm#:~:text=E%20em%20torno%20de%20340,de%20150%20milh%C3%B5es%20de%20anos. Acesso em: 10 mar. 2023.



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