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RÃ-PONTA-DE-FLECHA

Texto: Giulia da Silva Marchiori


Você já deve ter ouvido falar das famosas rãs que possuem toxinas que eram usadas em flechas por tribos indígenas, tais animais são da família Dendrobatidae.


Imagem 1: foto mostrando um Adelphobates galacnotus. Foto tirada em Parauapebas, PA. Autor: Thiago Silva Soares.



Dendrobatidae é uma família de anfíbios pertencentes à ordem anura, subordem Neobatrachia. Os membros deste grupo têm a particularidade de produzirem toxinas potentes que se encontram na sua pele. A espécie Adelphobates galacnatus está distribuída na região das florestas de várzea ao sul do rio Amazonas, a leste do rio Tapajós e até a foz do rio Amazonas e tem uma grande variedade de coloração dorsal, variando de amarelo, laranja, vermelho e azul claro, todas elas contrastando com a coloração ventral preta.


As rãs-ponta-de-flecha são pequenos anfíbios, variando seu tamanho entre 1,5 a 3 cm, que ocorrem em florestas tropicais da região neotropical. Diferente de uma grande parte dos anfíbios que possuem cores discretas, esses indivíduos possuem colorações fortes e chamativas que servem como um alerta aos predadores, como se eles falassem “não encosta em mim, porque eu sou perigoso”. O nome desta estratégia é aposematismo, uma característica adaptativa que permite que os predadores reconheçam a presa como impalatável ou tóxica.


A pele destas rãs é coberta por um conjunto de toxinas que varia de composição e intensidade dependendo da espécie. Essas toxinas são produzidas graças a sua dieta rica em alcalóides. O organismo desses animais sequestra os metabólitos alcalóides das suas presas (principalmente formigas) e realiza a secreção desse composto pela pele. Eles usam esse mecanismo como um sistema de defesa contra seus predadores. Os indígenas utilizavam essas secreções como um elemento surpresa na caça, onde esse elemento facilita o abate da presa.


O tráfico de animais silvestres é um problema internacional que afeta até esses pequenos anfíbios coloridos. Dendrobates galactonotus é uma espécie amplamente mantida em terrários na Europa, EUA e Japão, são espécimes provenientes de exportações ilegais. De acordo com o CITES Trade Database, nenhuma exportação legal de Dendrobates galactonotus vivos foi registrada no Brasil. Apenas em 2018, vinte e um desses animais foram interceptados em um aeroporto de Miami, e após dois anos, foram repatriados.


Apesar de não ser uma espécie ameaçada de extinção, alguns fatores críticos como destruição de habitat e tráfico de animais podem levar ao declínio de populações na natureza.



Referências:

BERNADE, P.S. Anfíbios e Répteis Introdução ao Estudo da Herpetofauna Brasileira. Curitiba: Anolis Books, 2012.


HOOGMOED, S.M.; AVILA-PIRES, S.C.T. Inventory of color polymorphism in populations of Dendrobates galactonatus (Anura:Dendrobatidae), a poison frog endemic to Brazil. Phyllomedusa. Dezembro, 2012.


PORTAL AMAZÔNIA. Os coloridos sapos-ponta-de-flecha: pequenos no tamanho e gigantes em beleza e veneno. 2021. Disponível em: https://portalamazonia.com/amazonia/os-coloridos-sapos-ponta-de-flecha-pequenos-no-tamanho-e-gigantes-em-beleza-e-veneno Acesso em: 08 de Mar. 2023


ROJAS, D.; LIMA, P.A.; MOMIGLIANO, P.; SIMÕES, I.P.; DUDANIEC, Y.R.; AVILA-PIRES, S.C.T.; HOOGMOED, S.M.; BITAR, C.O.Y.; KAEFER. L.I.; AMÉZQUITA, A.; STOW. A. The evolution of polymorphism in the warning coloration of the Amazonian poison frog Adelphobates galactonotus. The genetics society, 2019.


S.PAULO ZONA SUL. Parque Zoológico de São Paulo recebe 21 sapos apreendidos nos Estados Unidos. 2020. Disponível: https://jornalzonasul.com.br/parque-zoologico-de-sao-paulo-recebe-21-sapos-apreendidos-nos-estados-unidos/ Acesso em: 29 de Mar. 2023

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