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RÃ-PONTA-DE-FLECHA: POR QUE TEM ESSE NOME?

Texto: Carolayne Santino da Silva


Pode ser que em algum momento você tenha ouvido falar, ou até mesmo visto na TV ou mídias sociais, sobre as rãzinhas-ponta-de-flecha da Amazônia. São aquelas pequenas rãzinhas super coloridas que pertencem à família Dendrobatidae. Mas você já se perguntou o motivo delas serem chamadas de "rãs-ponta-de-flecha"? O motivo vem da forma como elas são usadas por alguns povos indígenas: as rãs-ponta-de-flexa são usadas como fonte de veneno (toxinas) para caçar. Antes de caçar, os indígenas passam a ponta de suas flechas sobre a pele dessas rãs, transferindo o veneno da pele para a ponta da flecha. Quando a flecha atinge o animal que está sendo caçado ele morre não necessariamente pela flechada, mas sim pela ação da toxina contida na flecha.

Ranitomeya toraro Foto: Thiago Silva-Soares, 2022


Outra curiosidade a respeito do veneno dessas rãs tem a ver com a sua síntese: a produção do veneno depende da alimentação da rã. Pois é! O organismo das rãs “sequestra” os alcalóides ao comer certas espécies de formigas, também da Amazônia, que possuem estes compostos. Na natureza, essas formigas compõem o principal item da dieta das rãs. Testes realizados em laboratório comprovaram que sem esta dieta à base de formigas os dendrobatídeos não sintetizam um veneno tão potente quanto em vida livre.


O fato das rãs-ponta-de-flexa possuírem cores fortes e chamativas também tem a ver com seu veneno. As cores fortes funcionam como um alerta, avisando aos possíveis predadores que eles são perigosos e podem envenenar quem tentar comê-los.

Dendrobates auratus Foto: John White, 2002


E então, gostou de saber essas curiosidades sobre as rãs-ponta-de-flecha da Amazônia? Elas são realmente incríveis, não são?!



Referências

JECKEL, Adriana Moriguchi. Eficiência de sequestro e composição de alcalóides em rãs-de-veneno da família Dendrobatidae. 2020. Tese (Doutorado) - Curso de Ciências Biológicas área de Zoologia, Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo, São Paulo, 2020.


ROJAS, D. et al. The evolution of polymorphism in the warning coloration of the

Amazonian poison frog Adelphobates galactonotus. The genetics society. v. n. 124, p. 439–456. 2020. Disponível em: https://doi.org/10.1038/s41437-019-0281-4. Acesso em: 29 mar. 2022.


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