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PLÁSTICOS DESCARTÁVEIS: UMA AMEAÇA AOS OCEANOS



Texto: Maria Eduarda Cunha


As tartarugas marinhas são animais fascinantes. Os ovos são postos na praia, enterrados em buracos cavados pela fêmea adulta, e, ao eclodirem, as novas tartarugas precisam cavar até a superfície e irem até o mar, um percurso que não é fácil, pois facilmente podem ser atacadas por predadores antes de alcançar o destino final. Chegando no mar, elas precisam se alimentar, e seu prato favorito são pequenos invertebrados. Conforme vão crescendo, elas vão cada vez mais para dentro do mar e longe das praias, e sua alimentação também muda: as tartarugas mais jovens se alimentam de algas e outras plantas e também de animais, e um dos seus pratos favoritos são as águas-vivas! Viver no oceano não é tão fácil quanto parece, e a vida das tartarugas marinhas é bem difícil desde o nascimento, e, nos últimos anos, ações humanas vêm deixando a vida desses animais cada vez melhor.


Tartarugas marinhas recém eclodidas se movimentando em direção ao mar. Foto: Lucas Rosado.


A poluição plástica nos oceanos é uma das maiores ameaças a esse ecossistema. Sacolas, canudos, garrafas, tampas de garrafa, lacres, copos e tudo mais de material plástico que descartamos podem ser encontrados boiando em alto mar. O nosso consumo e descarte irresponsável é a causa de morte de muitos animais que, infelizmente, não damos a devida atenção a isso.

Como o plástico afeta a vida marinha?

Vamos pensar nas tartarugas marinhas juvenis: elas se alimentam de águas-vivas, que flutuam de um jeito muito semelhante ao de uma sacola plástica. Para humanos já é difícil diferenciar uma da outra, para uma tartaruga então... Com certa frequência pesquisadores encontram sacolas plásticas no trato digestivo de tartarugas, por elas a terem confundido com águas-vivas. O plástico não é digerido pelas tartarugas podendo ficar indeterminadamente no estômago, dando a elas uma falsa sensação de satisfação, ou até obstrução do trato intestinal.


Também vemos emaranhados de rejeitos (como lacres de garrafa e restos de rede de pesca) se prenderem no corpo do animal, prejudicando o movimento e muitas vezes até o desenvolvimento e crescimento.


Tartaruga marinha com plástico sendo retirado do trato digestivo. Foto: Projeto TAMAR.


E o que isso tem a ver comigo?

O lixo que está no oceano é de responsabilidade humana. Precisamos, mais do que nunca, repensar o nosso consumo e também reciclar e reutilizar o plástico que é tão presente na nossa vida. Ao invés de pegar várias sacolinhas no supermercado, podemos levar uma sacola de pano ou reutilizável de casa, ou talvez recusar aquele canudo de plástico que vem acompanhando as bebidas e utilizar um de vidro ou metal, também podemos sempre recusar o copo de plástico descartável e investir em copos duráveis e reutilizável. Obviamente, também podemos descartar os rejeitos nos locais adequados e pressionar os governantes para que mais políticas de reciclagem sejam implementadas. Devemos, também, sempre que formos à praia, recolher nossos lixos e incentivar que outras pessoas também o façam, para que esse material não seja carregado pelas marés.


Cinco espécies de tartarugas marinhas desovam no Brasil, e duas delas desovam em praias no Espírito Santo: a tartaruga-cabeçuda (Caretta caretta) e a tartaruga-de-couro (Dermochelys coriacea), mas as outras podem ocasionalmente serem avistadas em águas capixabas. O Projeto TAMAR atua ao longo da costa brasileira, trabalhando em prol da conservação das tartarugas, resgatam animais debilitados e, quando possível, os reintroduzem na natureza, também cuidam das praias utilizadas nas desovas para garantir a postura de ovos e o nascimento dos filhotes.


Eles têm duas sedes no Espírito Santo, uma em Vitória e a outra em Regência, ambas valem a pena conhecer!


Referências

Bugoni, L. Krause, L. & Petry, M. V. 2001. Marine Debris and Humam Impacts on Sea Turtles in Southern Brazil. Marine Pollution Bulletin, 42(12): 1330-1334.

Da Silva Mendes, S. de Carvalho, R. H., de Faria, A. F. % de Sousa, B. M. 2015. Marine debris ingestion by Chelonia mydas (Testudines: Cheloniidae) on the Brazilian coast. Marine Pollution ulletin, 92(1-2): 8-10.



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