PARA ONDE FOI A SURUCUCU?

Conhecida popularmente por “surucucu”, “surucucu-pico-de-jaca” ou “surucucu-de-fogo”, a serpente da espécie Lachesis muta (Linnaeus,1766), é a maior das espécies de viperídeos do Brasil. Apresenta ampla distribuição geográfica, ocorrendo em ambientes florestais úmidos e bem preservados da Mata Atlântica, Amazônia e matas úmidas de transição da região Nordeste.


Texto: Augusto Tozani


Lachesis muta (Linnaeus,1766). Fotografia: Welington de Araujo Coelho


A surucucu é uma serpente de hábito crepuscular e noturno, habitante do substrato das matas, então é uma espécie terrícola. Apesar de ser considerada agressiva pela população por conta das lendas populares, esta é uma espécie de ‘temperamento’ mais tranquilo do o da maioria das suas parentes dentro da família Viperidae. Porém, quando ameaçada, como principais mecanismos de defesa a surucucu desfere botes e agita a cauda contra a folhagem para afastar o predador.


Mas como identificar uma surucucu?

As surucucus possuem a cabeça larga e o focinho arredondado, tipicamente apresentando desenhos na forma de losangos ao longo do corpo, que alternam entre as cores pretas e amarelas. Outra importante característica morfológica está na sua cauda, que apresenta uma última sub-fileira de escamas modificadas, sendo estas quilhadas e eriçadas, além de apresentar um espinho terminal, também derivado de escamas modificadas.


Do que elas se alimentam?

Sua dieta se baseia em pequenos roedores e outros pequenos vertebrados. Tem reprodução ovípara, com uma postura aproximada de 15 ovos por época de acasalamento. É a única espécie de viperídeo no Brasil em que a fêmea enrola-se aos ovos, sendo uma forma de cuidado parental.


Qual é o tipo de veneno?

Possui um veneno com ação proteolítica, hemorrágica e coagulante. É relatado também ação neurotóxica, porém não foi isolada ainda a fração específica responsável por esta atividade. Seu veneno é chamado de veneno laquético. Os sintomas do acidente incluem: dor, surgimento de vesículas de conteúdo seroso e seroso-hemorrágico nas primeiras horas do acidente e manifestações hemorrágicas no local da picada. Como tratamento, pode ser administrado o uso de soro antilaquético, via intravenosa dependendo da gravidade do acidente. Porém, acidentes com este animal são raros devido ao hábito de se esconder embaixo de troncos, raízes e tocas de tatu.