PANTANAL: A MAIOR PLANÍCIE INUNDADA DO PLANETA

Texto: Katarine N. Norbertino


O bioma Pantanal trata-se da maior planície continental inundada, sendo compartilhada entre três países da América do Sul (Bolívia, Brasil e Paraguai). Em território brasileiro, o bioma localiza-se no sudoeste do Mato Grosso e no noroeste Mato Grosso do Sul, sendo, ainda, delimitado e influenciado pelo Cerrado, pela Amazônia e também pelo Chaco.


O Pantanal é caracterizado por clima tropical com estação de clima seco, cuja precipitação média de cada mês é inferior a 60 mm (de acordo a classificação de Köppen) e apresenta inundação semi-permanente, visto que nas estações chuvosas ocorre o alagamento de grande parte das áreas, todavia com advento da diminuição das chuvas até a escassez, tais áreas tendem a secar.

Imagem 1. Gavião-belo (Busarellus nigrocollis) empoleirado em galho da vegetação ciliar. Fonte: Thiago Silva-Soares.

Localizado na bacia hidrográfica do Alto Paraguai, com elevação de 80 a 150 metros de altitude, o bioma é acometido pelas chuvas entre outubro e março, as quais afetam diretamente o perfil da sua cobertura vegetal (Imagem 1). Tais chuvas que abarcam a região, escoam das áreas mais íngremes e elevadas para áreas de baixa altitude, promovendo a cheia dos afluentes que, em conjunto com a baixa declividade dessas áreas menos elevadas e também a proximidade à superfície dos lençóis freáticos, alagam uma extensa área.

Imagem 2. Em cima: registro de populações de Garça-branca-grande (Ardea alba) e Garça-branca-pequena (Egretta thula). Em baixo: Jacaré-do-pantanal (Caiman yacare) em repouso no substrato úmido próximo ao corpo d'água. Fonte: Thiago Silva-Soares.

É válido ressaltar ainda que esse alagamento perdura em virtude das particularidades geológicas do local, que atuam como uma espécie de represa. Assim, mesmo quando cessa o período de aumento hídrico (chuvas) do Pantanal, parte do seu solo permanece saturado por determinado tempo (que pode durar de dias a meses). Em virtude dessas mudanças recorrentes, a vegetação ciliar apresenta grande variedade em sua fitofisionomia a depender do local e da época, e é afetada pelos diferentes níveis de inundação.


Além de exibir paisagens paradisíacas, o Pantanal também é conhecido por possuir uma rica biodiversidade tanto com relação à flora quanto à fauna, sendo que esse último é caracterizado por inúmeras espécies símbolos (principalmente mamíferos, aves e répteis) fortemente conhecidas pela sociedade (Imagens 2 e 3). Inclusive, tanto a distribuição quanto a riqueza desses aspectos bióticos são influenciados pelos biomas que circundam o Pantanal.


As fitosionomias do Cerrado são encontradas em áreas alagadas e, também, não-alagadas, compartilhando além da típica vegetação rasteira, espécies da fauna. Por sua vez, o Chaco paraguaio-boliviano (característico por ser mais seco) influi o sudoeste do Pantanal. E a Amazônia partilha, nas áreas próximas ao Rio Paraguai, componentes faunísticos e florísticos ao norte do Pantanal.

Imagem 3. Onça-pintada (Panthera onca) repousando sobre o tronco de uma árvore. Fonte: Thiago Silva-Soares.

No entanto, o bioma atualmente sofre com o avanço da agropecuária e com a iminência de queimadas que (historicamente) tem degradado grande parte do Pantanal e ainda representam uma ameaça para o mesmo. Com isso, fortalecer e instigar políticas públicas é essencial para a conservação da região, especialmente quando há o estímulo de novas alternativas socioeconômicas, tal qual o turismo, que não só cria valores para o local como também os evidencia ao exaltar a importância biológica e sociocultural do bioma.

REFERÊNCIAS

CORINGA, E. A. O. et al. Atributos de solos hidromórficos no Pantanal Norte Matogrossense. Acta Amazonica, v. 42, p. 19-28, 2012.

LIMA, T. M. et al. Aspectos sociais e biogeográficos do bioma Pantanal. SEMOC-Semana de Mobilização Científica - Aspectos sociais e biogeográficos do bioma Pantanal, 2003.

PAULO, C. M.; MELLO-THÉRY, N. A. Políticas públicas e experiências locais de turismo de paisagens: o exemplo do Pantanal. Via@ Tourism Review, n. 1, v. 7, 2015.

PEREIRA, G.; CHÁVEZ, E. S.; SILVA, M. E. S. O estudo das unidades de paisagem do bioma Pantanal. Revista Ambiente & Água, v. 7, p. 89-103, 2012.

RESENDE, E. K. Os controles geológicos e os pulsos de inundação no Pantanal. ADM – Artigo de Divulgação na Mídia, Embrapa Pantanal, n. 63, p.1-2. mai. 2004.

RESENDE, E. K. Pulso de inundação: processo ecológico essencial à vida no Pantanal. Corumbá: Embrapa Pantanal, 2008. 16 p.

SILVA, J.; ABDON, M. M.; MENGATTO JÚNIOR, E. A. Características biofísicas do Chaco brasileiro. 2021.

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