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ONDE VIVEM AS COBRAS?

Texto: Bryan da Cunha Martins


Parece uma pergunta besta, não é mesmo? Será que é? Bom, é fato que boa parte das pessoas irá dizer “na mata”, ou “na floresta” e não está errado! Mas aonde elas se escondem na mata? Vamos deixar tudo bem explicadinho!


Antes de tudo, devemos saber que cada espécie possui um habitat, ou seja, um local ideal para ela viver, se alimentar e se reproduzir. Isso não significa que ela nunca possa estar em outro lugar, e sim que ela estará lá na maior parte do tempo. Vem com a gente!


Figura 1: Serpentes listadas no texto.


As arborícolas


Você já deve ter ouvido esse nome em algum lugar. Se sim, sabe o que quer dizer? Tudo bem se não souber, estamos aqui para ensinar! Se não, vamos apresentar agora! A palavra arborícola vem do latim arbore (árvore) e cola (habitar). Ou seja, arborícola se refere aos que habitam nas árvores! Diversas espécies de serpentes possuem este hábito. Sabe a cobra cipó (Philodryas olfersii). Sabe aquela bem fininha e verdinha (figura 1-a)? Pois bem, ela é arborícola e aproveita sua coloração verde para se camuflar por entre as folhas. Espertinha, não!?


Outra espécie que podemos considerar arborícola, mas que também possui hábito terrícola (guarde este nome) é a Jiboia (Boa constrictor). Ao contrário de sua amiga cipó, a jibóia não é verde nem fininha (figura 1-b). Na verdade, ela possui um corpo bem robusto. Sabe por quê? Além de matarem suas presas por asfixia, o que requer uma musculatura forte, a jibóia precisa de muita força (músculos) para sustentar seu corpo robusto nas árvores.


As terrícolas


Esta é fácil, né? Ao contrário daquelas que vivem no alto das árvores, as serpentes chamadas terrícolas possuem hábitos terrestres, o próprio nome já diz. Elas se alimentam, vivem e se reproduzem no chão. Como representantes deste grupo, podemos citar as serpentes cascavel (Crotalus durissus) (figura 1-c) e a surucucu (Lachesis muta) (figura 1-d). Uma característica de serpentes terrícolas são as largas escamas ventrais (na parte debaixo do corpo), que são bem resistentes de forma a proteger a barriga a cobra de todo o atrito que serpentar no chão causa.


As fossoriais


Para os que não conhecem este é o termo mais difícil, concorda? O que é fossorial? Fossorial ou fossório é aquele cujo habitat é enterrado. Isso mesmo! Abaixo da superfície! Existem muitas espécies com este tipo de comportamento. Elas são adaptadas para cavar o solo, possuindo uma cabeça arredondada que facilita a escavação e olhos muito pequenos, já que não precisam enxergar bem no escuro. Exemplos muito famosos são algumas das clássicas corais verdadeiras (Micrurus spp.) (figura 1-e) e as serpentes do gênero Trilepida (figura 1-f).


As aquáticas


Todo mundo, pelo menos uma vez na vida, já ouviu falarem em cobra d’àgua. As cobras d’água são aquelas que vivem a maior parte do tempo em ambiente aquático. Isso significa que elas nunca saem por aí, serpenteando pelo chão? Nãaao! Com frequência podemos observar estas espécies fora da água. Porém, na maior parte do tempo elas estarão associadas à este ambiente. Como exemplos, temos a amazônica Micrurus surinamensis, uma coral verdadeira (figura 1-g) e a comum cobra d’água Erythrolamprus miliaris (figura 1-h).


Um bônus aqui é a Hydrophis belcheri (figura 1-i), uma serpente marinha que é a primeira colocada em muitos dos ranks de toxicidade de peçonha. É isso mesmo! Esta cobra vive nas águas salgadas (!) da região da Austrália (tinha que ser). Apesar de ter uma toxina letal, ela não é uma espécie agressiva. Outra curiosidade é que ela pertence à mesma família das corais verdadeiras e das najas, a Família Elapidae.


Considerações


Além dos tipos acima, existe a classificação “semi”. Semi-arborícola, semi-fossorial e por aí vai... Desta forma, subentende-se que a espécie possui um determinado hábito que não é exclusivo, ou seja, ela pode possuir vários hábitos.


REFERÊNCIAS


BERNARDE, P- S. Habitos Alimentares e Comportamento de Caça das serpentes. Herpetofauna. Disponível em: < http://www.herpetofauna.com.br/SnakeFood.htm> Acesso em: 25 de ago. de 2019.


BERNARDE, P. S. 2012. Anfíbios e Répteis - Introdução ao estudo da Herpetofauna brasileira. Anolis Books, Curitiba, 320p.


CANAL DA COBRA. Escamas: conheça os tipos e para que servem. Disponível em: < https://canaldacobra.wordpress.com/2017/10/19/escamas-conheca-seus-tipos-e-para-o-que-servem/> Acesso em: 25 de ago. de 2019.


CASTRO, T.M; SILVA-SOARES, T. Répteis da Restinga do Parque Estadual Paulo César Vinha. Cachoeiro de Itapemirim – ES, São Camilo, p.194, 2016.


FREITAS, M.A. Serpentes Brasileiras. Bahia. Proquigel Química, 160p. 2003.


JARDIM, D. Aprenda sobre a cobra coral e saiba a diferença de uma coral falsa. Vida Animal. Disponível em: < https://vidanimal.com.br/cobra-coral/> Acesso em : 25 de ago. de 2019.


MUNDO ECOLOGIA. Serpente marinha de bico: nome científico. Disponível em: < https://www.mundoecologia.com.br/animais/serpente-marinha-de-bico-nome-cientifico/> Acesso em: 25 de ago. de 2019.


SILVA, A. G. Acidentes Causados por animais peçonhentos. 15º BPM-MG. Belo Horizonte, 8(27), p.51-66, 1990.

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