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NEM TUDO O QUE PARECE, É!

Texto: Carolayne Santino da Silva


A importância da genética molecular na diferenciação de espécies morfologicamente similares.


Vocês já notaram como muitos animais são parecidos entre si? Por exemplo, alce e uapiti, pato e ganso, periquitão-maracanã e papagaio-verdadeiro, lhama e alpaca, raposa-do-campo e cachorro-do-mato etc. Ao observar atentamente, podemos diferenciá-los morfologicamente, ou seja, diferenciá-los por meio das características físicas que cada um possui de acordo com sua espécie. Sendo assim, é possível dizer que uapitis e alces, por exemplo, não pertencem à mesma espécie, embora sejam da mesma família.


Mas e quando não é possível distinguir uma espécie de outra somente olhando sua morfologia? É o que acontece com muitas espécies de anfíbios anuros (sapos, rãs e pererecas). Em casos onde há uma semelhança muito grande entre dois ou mais espécimes (indivíduos), é preciso realizar algumas análises bem específicas a fim de categorizar taxonomicamente, ou seja, classificar e organizar cada indivíduo em seu devido lugar.


O caso a seguir é referente à nova espécie descoberta ainda este ano, Odontophrynus reigi e seu congênere Odontophrynus americanus, já conhecido. Acontece que os pesquisadores após os resultados das análises morfológicas: osteológicas (análise dos ossos), bioacústica (análise do canto) e genética, concluíram que se tratava de uma outra espécie, à qual foi batizada de O. reigi. Um fato muito relevante para o desfecho na identificação dessa nova espécie é que se comparada à espécie O. americanus que é tetraplóide e nesse caso possui 44 cromossomos, O. reigi é diplóide e possui 22 cromossomos, assim como as outras espécies do gênero.

Figura 1. a) Foto frontal da espécie Odontophrynus americanus. Autoria: Carolayne Santino. b) Foto de Odontophrynus americanus onde é possível observar as semelhanças com a espécie Odontophrynus reigi ex: verrugas glandulares pelo corpo, manchas irregulares, pequenos tubérculos nas mãos e pés além dos olhos também serem muito parecidos. Autoria: Carolayne Santino.


Figura 2. Espécie de Odontophrynus reigi Autoria: Rosset et al. 2021.


Viram só como apenas uma “simples observação” em muitos casos não é suficiente para distinguir uma espécie da outra? É preciso analisar com cuidado, por isso os estudos genéticos, osteológicos e moleculares são tão importantes para distinguir uma espécie da outra, pois nem tudo o que parece, realmente é.


Curiosidade: antes de passar a ser Odontophrynus americanus (odonto=dente, phrynus=sapo, algo como “sapo de dentes americano”), a espécie teve três nomenclaturas diferentes. Tomopterna americanus Fitzinger 1843; Ceratophrys americana Boulenger 1882 (Savage e Cei 1965); Pyxicephalus americanus (Savage e Cei 1965) essa última significava “cabeça redonda” (pyxis=redondo ou caixa, cefalo=cabeça).


Referências

AMPHIBIAWEB. Odontophrynus americanus. 2021. Disponível em: https://amphibiaweb.org/species/5606. Acesso em: 02 dez. 2021.

ROSSET, S. D. et al. A New Burrowing Frog of the Odontophrynus americanus Species Group (Anura, Odontophrynidae) from Subtropical Regions of Argentina, Brazil, and Paraguay. Ichthyology & Herpetology. v. 109, n. 1, p. 228-244. 2021. Disponível em: https://doi.org/10.1643/h2020056.

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