HERPETOLOGIA AO REDOR DO MUNDO: Serpentes

Texto: Bryan da Cunha Martins


As vezes podemos nos perguntar algo tipo “será que ainda existem espécies para serem descobertas?” Nosso planeta possui muitas áreas ainda pouco amostradas e certamente ainda existem muitas espécies para serem descobertas e podemos dizer que estão sendo!


Mesmo que de maneira não eventual, como por exemplo, uma espécie de serpente encontrada dentro do estômago de outra serpente. Sendo assim, tenha em mente que não conhecemos tudo e nunca conheceremos! Porém, os cientistas trabalham para descobrir a maior quantidade de informações deste mundão! Neste texto mostraremos algumas espécies de serpentes descritas nos anos de 2018 e 2019 de quatro famílias diferentes ao redor do mundo.


Figura 1: serpentes apresentadas no texto.



Ahaetulla laudankia, Colubridae (Índia, 2019)


Uma nova espécie de serpente do gênero Ahaetulla (figura 1.a) foi descrita na Índia peninsular. O novo táxon é uma cobra arbórea de tamanho médio, que se distingue bastante das outras espécies do gênero por diferenças morfológicas e genéticas.


A nova espécie parece estar amplamente distribuída na Índia, tendo sido encontrada no Gates (uma cordilheira ocidental), na Índia Central, e no leste do Rajastão (região ao norte da Índia). No entanto, é relativamente raro, com pouquíssimos indivíduos encontrados. O trabalho de descrição foi concluído em 2019 e o indivíduo usado para descrever a espécie está tombado na Coleção Nacional de Pesquisas Zoológicas da Índia.


Não se sabe muito sobre a espécie ou mesmo sobre o gênero, mas se trata de uma serpente da família Colubridae, opistóglifa (que possui presas inoculadoras de peçonha, não-móveis no fundo da boca) que se alimenta de anfíbios e, possivelmente, de répteis como pequenos lagartos.


Cenaspis aenigma, Dipsadidae (México, 2018)


Este curioso caso aconteceu no estado de Chiapas, no sul do México em 1976. Trabalhadores estavam coletando palmeiras no interior de uma floresta e encontraram uma serpente coral verdadeira (Micrurus nigrocinctus). Infelizmente o animal foi eliminado, mas, pelo menos chegou às mãos dos pesquisadores que, ao avaliarem o conteúdo estomacal da coral, encontraram outra serpente. O interessante é que esta serpente não foi identificada como nenhuma outra. Desde então a serpente ficou sem identificação no Centro de Pesquisa de Biodiversidade de Anfíbios e Répteis da Universidade do Texas, EUA.

Descrita em 2018, com único exemplar de 1976, por um grupo de pesquisadores da Universidade do Texas, a serpente foi batizada como Cenaspis aenigma (figura 1.b).Do Latim Cena significa “jantar”, Aspis significa “espécie de cobra” e aenigma significa “enigma”. Acho que dá para ter uma noçãozinha do porquê, né?