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FLORA DO PANTANAL

Texto: Débora Cristina B. M. de O. Santos


A flora do Pantanal apresenta quase 2.000 espécies de fanerógamas, das quais as leguminosas e as gramíneas são os grupos mais abundantes e cerca de 1.000 são herbáceas. Devido à sua localização, o Pantanal sofre influência de quatro biomas: Amazônia, Cerrado, Mata Atlântica e o Chaco. Com isso ocorre uma grande mistura de diferentes tipos de vegetação, tornando-o um verdadeiro mosaico (Imagem 1).

Imagem 1. Diferentes tipos de vegetação do Pantanal (1: baía, 2: cordilheira, 3: lago salino, 4: cordilheira, 5: caronal, 6: savana (cerrado) – gramíneas e árvores, 7: savana – campo limpo, 8: vazante). Autoria: extraído e adaptado de Boin et al. (2019).


Dentre a vegetação terrestre encontram-se florestas decíduas e semidecíduas sazonais, vegetação pioneira, arbustiva e herbácea, savanas (Cerrado), savana estépica (Chaco) e refúgio de vegetação. A vegetação terrestre pode ser encontrada em áreas não-inundáveis e áreas inundadas (periódica ou permanentemente). As principais formações vegetais são apresentadas a seguir:


1. Florestas estacionais deciduais: apresenta árvores com 20 metros de altura em média, das quais mais de 50% são decíduas (perdem as folhas).


2. Florestas estacionais semideciduais: apresenta árvores com média de 20 metros de altura, podendo alcançar os 30 metros e 20 a 50% das árvores são decíduas.


2.1. Florestas aluviais: também chamadas de florestas ripárias. É inundada periodicamente.

2.2. Florestas de planície: ocorrem em áreas não-inundáveis.


3. Savana (cerrado): vegetação apresenta características xeromórficas (de ambiente seco) e poucas palmeiras.


3.1. Cerradão: árvores alcançando de 8 a 15 metros de altura. Ocorre em áreas não inundáveis.

3.2. Cerrado: arbustos e árvores esparsas, com predominância de gramíneas. Nas áreas mais baixas, tende a aumentar a ocorrência de gramíneas durante inundações e de plantas lenhosas durante períodos de seca.

3.3. Savana inundável monodominante: ocorre em áreas inundáveis com grande dominância de uma única espécie, dando origem a formações como: canjiqueiral (Byrsonima orbignyana), lixeiral (Curatella americana), paratudal (Tabebuia aurea, Imagem 2A).

3.4. Campo: apresenta gramíneas e herbáceas e tem grande dependência dos ciclos de cheias e secas.


4. Savana estépica (chaco): apresenta vegetação espinhosa, incluindo cactos, e lembra a Caatinga (Imagem 2B). Também apresenta áreas úmidas.


5. Vegetação pioneira: sob influência de rios e inundações (periódicas ou permanentes), coberta por vegetação em constante sucessão sendo comum que poucas espécies dominem uma grande área. Essa dominância origina diferentes paisagens, como: acurizal (Attalea phalerata), babaçual (Attalea speciosa), brejos, cambarazal (Vochysia divergens, Imagem 2C), buritizal (Mauritia flexuosa), “tapetes” ou ilhas de macrófitas em lagos e poças (Imagem 2D), dentre outros.

Imagem 2. A: paratudal. B: chaco. C: cambarazal. D: aguapé (Eichornia azurea). Autoria: Fabio Edir Costa (C) e Arnildo Pott (B e D) – extraído e modificado de Pott e Silva (2015), Paisagens do Brasil - Unesp (modificada).


As florestas estacionais deciduais e semideciduais formam ilhas de vegetação (também chamadas de capões, Imagem 3), com árvores decíduas no meio e vegetação ripária no entorno, que são um refúgio para a fauna durante as cheias. O carandazal é uma formação vegetal com gramíneas e predominância da palmeira carandá (Copernicia alba), que ocorre tanto em áreas inundáveis, quanto em locais secos.


A vegetação aquática é encontrada em lagos, poças (permanentes e temporárias), pântanos, rios e campos alagados. Ocorrem mais de 200 espécies de macrófitas aquáticas, como a gigante vitória-régia (Victoria amazonica) e ninfeias. Algumas espécies, como os aguapés (Eichornia crassipes e E. azurea), formam verdadeiros tapetes de vegetação flutuante. Nos brejos e poças temporárias, podem ser encontradas vegetação herbácea, como o piri (Cyperus giganteus).

Imagem 3. Ilha de vegetação (capão) que se forma devido a uma elevação do terreno. Extraído e modificado de Paisagens do Brasil - Unesp (modificada).


A vegetação no Pantanal varia ao longo do ano, com sua distribuição sendo influenciada pelos ciclos de chuvas e cheias. Durante a estação chuvosa (outubro a abril) e os alagamentos que com ela ocorrem, espécies adaptadas ao excesso de água, como Vochysia divergens expandem sua distribuição a partir da vegetação ripária. Espécies como a canjiqueira (Byrsonima orbignyana), um arbusto de cerca de 1,5 metro, se desenvolvem em áreas periodicamente inundáveis, mas não resistem a inundações prolongadas.


Durante a seca (maio a setembro), gramíneas se desenvolvem em áreas drenadas, formando campos. Os campos são comuns no Pantanal e muito influenciados pelos regimes de inundação. Em anos mais secos, arbustos e vegetação savânica podem expandir sua distribuição sobre os campos.


O Pantanal é uma das maiores áreas úmidas tropicais do mundo e o menor bioma do Brasil. É considerado Patrimônio Natural da Humanidade e Reserva da Biosfera pela Unesco, e mesmo sendo o bioma menos degradado do país, sofre com pressões antrópicas devido à agropecuária.


Referências


BOIN, M. N. et al. Pantanal: The Brazilian wetlands. In: SALGADO, A. A. R. et al. (eds.). The Physical Geography of Brazil. Springer, Cham, 2019. p. 75-91.


DE MORAES, T. J. et al. Vegetation dynamics and precipitation sensitivity in three regions of northern Pantanal of Mato Grosso. Brazilian Journal of Environmental Sciences (Online), v. 57, n. 1, p. 125-136. 2022.


POTT, A. et al. Plant diversity of the Pantanal wetland. Brazilian Journal of Biology, v. 71, p. 265-273. 2011.


POTT, A; SILVA, J. S. V. Terrestrial and aquatic vegetation diversity of the Pantanal wetland. In: BERGIER, I.; ASSINE, M. L. (eds.). Dynamics of the Pantanal wetland in South America. Springer, Cham, 2015. p. 111-131.


SCREMIN-DIAS, E.; LORENZ-LEMKE, A. P.; OLIVEIRA, A. K. M. The floristic heterogeneity of the Pantanal and the occurrence of species with different adaptive strategies to water stress. Brazilian Journal of Biology, v. 71, p. 275-282. 2011.

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