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DESCOBERTA NOVA ESPÉCIE DE SAPINHO-DA-CHUVA! (Ischnocnema crassa sp. nov.)

Texto: Carolayne Santino da Silva


No final do ano de 2021, uma nova espécie de anfíbio anuro - os sapos, rãs e pererecas - foi descrita por pesquisadores do Herpeto Capixaba e colegas. Esta rãzinha pertence à família Brachycephalidae e está incluída na série (grupo) Ischnocnema parva. A descrição de uma nova espécie nem sempre é fácil e óbvia, por isso, para se descrever um novo organismo, precisamos de reunir vários métodos que em consenso corroboram a hipótese de se tratar de uma nova espécie.


Sendo assim, foram realizados testes morfológicos, genéticos e moleculares utilizando técnicas de comparação detalhada entre indivíduos das espécies Ischnocnema parva, I. pusilla, e da própria I. crassa sp. nov., outras espécies de Ischnocnema pertencentes à outros grupos, e até metodologias estatísticas (inferência bayesiana). Dessa forma, tanto as análises molecular e morfológica corroboraram se tratar de uma nova espécie.

Figura 1. Padrão de coloração da espécie Ischnocnema crassa sp. nov. a) holótipo macho (espécime referência); b) macho adulto; c) fêmea sub adulta; d) fêmea adulta; e) macho adulto; f) casal em amplexo Fonte: Silva-Soares et al. 2021.

O que diferencia Ischnocnema crassa das outras espécies do gênero?


A diferença morfológica de maior evidência na nova espécie é a presença de finas membranas entre os dedos I, II e III. Vale ressaltar que essa característica não é encontrada em outras espécies do gênero Ischnocnema.

Figura 2. a) holótipo; e b) parátipo de Ischnocnema crassa sp. nov. mostrando claramente a membrana entre os dedos Fonte: Silva-Soares et al. 2021.

História natural e comportamento


Ischnocnema crassa possui hábitos noturnos e pode ser encontrada no interior da floresta. Com relação ao comportamento antipredatório (defesa contra predadores) dessa espécie, os pesquisadores observaram que ela demonstrou alguns mecanismos: aposematismo (coloração de alerta normalmente associada a um potencial tóxico do animal), camuflagem, chamada de interrupção (evitar ser notado por predadores que se localizam pela audição ex: um indivíduo de anuro para de vocalizar quando percebe a presença de um potencial predador), postura (inflar o corpo, elevar o tronco, fingir morte), fuga, e imobilidade.

Figura 3. Alguns comportamentos anti-predatórios de Ischnocnema crassa sp. nov. a) inflação do corpo; b) elevação do tronco; c) camuflagem; d) fingindo de morto. Fonte: Silva-Soares et al. 2021.

Distribuição geográfica


Até o momento, a distribuição de Ischnocnema crassa está restrita às florestas montanhosas do município de Santa Teresa, estado do Espírito Santo, próxima a propriedades privadas da circunvizinhança e também na Reserva Biológica Augusto Ruschi e no Parque Natural Municipal de São Lourenço. Sendo assim, essa espécie é endêmica dessa região, ou seja, ocorre somente nestes locais.

Etimologia (origem do nome) e nome popular


Por apresentar um formato de corpo mais arredondado do que as outras espécies do seu mesmo grupo taxonômico, foi dado a essa nova espécie o nome de Ischnocnema crassa, sendo que “crassa” é uma menção, em latim, ao que é robusto, gordo. Assim, o nome popular da espécie ficou como “rã gordinha de Santa Teresa”.

E então, gostou da novidade? E qual nome você daria a essa espécie?

Referências


FERREIRA, R. B. et al. Antipredator mechanisms of post-metamorphic anurans: a global database and classification system. Behavioral Ecology and Sociobiology. v. 73, n. 69, p. 3-21. 2019. Disponível em: https://doi.org/10.1007/s00265-019-2680-1.

SILVA-SOARES, T. et al. A new species of Ischnocnema (Anura: Brachycephalidae) from the mountainous region of Atlantic Forest, southeastern Brazil, with a new phylogeny and diagnose for Ischnocnema parva series. Zootaxa. v. 5082, n. 3, p. 201-222. 2021. Disponível em: https://doi.org/10.11646/zootaxa.5082.3.1.

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