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COMO SE FORMA O CASCO DOS TESTUDINES

Texto por: Katarine N. Norbertino



Os Testudines (tartarugas, jabutis e cágados) apresentam uma característica única da anatomia que permite facilmente a identificação do grupo: o casco. Essa estrutura consiste em diversas modificações do esqueleto que resultam na junção de uma carapaça (região dorsal) associada através de uma ponte óssea a um plastrão (região ventral), ambos revestidos externamente por queratina em osteodermos.

Diferentemente dos outros vertebrados tetrápodes que possuem a escápula externa à costela, nos Testudines a escápula é disposta internamente aos ossos da costela.


Figura 1. Phrynops geoffroanus (juvenil) sobre o solo (a); Chelonoidis carbonarius em ambiente terrestre (b). (Fonte: Thiago Marcial de Castro).



No processo ontogenético de formação da carapaça, há um tecido fundamental que atua direcionando o crescimento da costela em formato de leque e, dessa maneira, impedindo a migração lateral das células que são precursoras da costela. Há, ainda, o dobramento da parede lateral do corpo que move a escápula para a região interna do esqueleto. No fim do desenvolvimento embrionário, constituindo a carapaça encontram-se fusionadas as costelas (essas que são alargadas) assim como também há a fusão das vértebras torácicas, sacral e a primeira vértebra caudal. Por sua vez, o plastrão é constituído pela fusão das costelas abdominais, das interclavículas e clavículas. E ambos, carapaça e plastrão, possuem externamente a presença de ossos dérmicos.


Dentro do casco os órgãos ficam protegidos e, juntamente com alguns músculos, encontram-se associados à face interna dos ossos. Portanto, ao contrário do que é disseminado em alguns desenhos animados, os Testudines não possuem a capacidade de sair do próprio casco como se retirassem uma roupa; na verdade, internamente eles estão “colados” aos ossos que formam a carapaça e o plastrão.


Mesmo sendo uma estrutura comum a todas as espécies, há no grupo uma diversidade de cascos com características que são, inclusive, taxonômicas (eficientes no reconhecimento de espécies). A depender do hábito de vida, o casco pode ser mais achatado ou mais robusto (Fig. 1), podendo apresentar espaços laterais para acomodação da cabeça como ocorre nos cágados, dentre outras variações morfológicas.



REFERÊNCIAS


BENEDITO, E. Biologia e Ecologia dos vertebrados. 1. ed. Rio de Janeiro: Roca, 2018. 244 p.


HICKMAN, C. P. et al. A origem dos Amniotas e os répteis não-aves. In:________ Princípios Integrados de Zoologia. 16 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2016.


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POUGH, F. H.; JANIS, C. M.; HEISER, J. B. Testudines. In:________ A vida dos vertebrados. 4. ed. São Paulo: Atheneu, 2008. 303-327 p.


UETZ, P.; HALLERMANN, J.; HOSEK, J. The Reptile Database. 2021. Disponível em: <https://reptile-database.reptarium.cz/advanced_search?taxon=crocodylia&submit=Search>


WYNEKEN, J.; GODFREY, M. H.; BELS, V. (orgs.). Biology of turtles. Boca Raton: CRC Press, 2008. 404 p.


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