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COBRAS QUE “VOAM”? QUE HISTÓRIA É ESSA?


Por Bárbara Santos


As serpentes são animais amplamente distribuídos em termos de tipos de habitat: elas estão em meio terrestre, aquático dulcícola, aquático marinho ou subterrâneo. Entretanto, um gênero de cobras asiático é amplamente conhecido por “voar”, e também geram muito medo internet afora. Vamos desvendar os mistérios por trás!



Figura 1. Serpente Chrysopelea paradisi em movimento. Fonte: Holden et al., 2014.



O gênero em questão é o Chrysopelea, proveniente do sudeste asiático, e que apresenta 5 espécies de serpentes. Essas serpentes são consideradas arborícolas, pois muito frequentemente são encontradas em meio arbóreo e possuem características morfológicas adaptadas para viver nesse tipo de substrato.

Esse grupo de serpentes é muito temido internet afora, por ser considerado “perigoso” e “voador”, entretanto, essas serpentes não realizam movimentos de voo, mas sim de planação. Essas serpentes são consideradas os únicos animais planadores que não possuem membros. Através de achatamento dorsoventral de seu corpo, e da realização de diversos movimentos corporais complexos, como realizar ondulações corporais enquanto permanece na forma da letra “S”, e de acordo com pesquisadores, seu modo de planar é único entre o meio animal.

Dessa forma, elas são capazes de utilizar a planagem para realizarem diversas atividades, como deslocar-se de uma árvore a outra, perseguirem presas que voam e até mesmo podem evitar predadores desta forma. Além disso, essas serpentes não são conhecidas por atacarem seres humanos, e são serpentes opistóglifas, ou seja, que apresentam uma presa inoculadora de peçonha na parte traseira da boca, o que dificulta uma possível picada em caso de encontro com humanos.

Outro fato interessante sobre essas serpentes é que estudar sua aerodinâmica pode auxiliar no desenvolvimento de pesquisas de veículos aéreos biomiméticos, que poderiam ajudar no reconhecimento de áreas montanhosas e arborizadas, além do desenvolvimento de outras tecnologias. Dessa forma, estudar essas serpentes e seu modo de planar é imprescindível para a ciência.




REFERÊNCIAS


HOLDEN, D. et al. Aerodynamics of the flying snake Chrysopelea paradisi: how a bluff body cross-sectional shape contributes to gliding performance. Journal of Experimental Biology, v. 217, n. 3, p. 382-394. 2014.


KRISHNAMURTHY, V. et al. Computational study of the aerodynamics of the gliding snake Chrysopelea Paradisi. International Journal of Applied Engineering Research, v. 10, n. 19, p. 14476-14479. 2015.


SOCHA, J. J.; O'DEMPSEY, T.; LABARBERA, M. A 3-D kinematic analysis of gliding in a flying snake, Chrysopelea paradisi. Journal of Experimental Biology, v. 208, n. 10, p. 1817-1833. 2005.


TAN, T. L. et al. Bitten by the “flying” tree snake, Chrysopelea paradisi. The Journal of Emergency Medicine, v. 42, n. 4, p. 420-423. 2012.


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