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“AU AU AU” EU OUVI UM CACHORRO?!


Texto: Bruno Corrêa


Quando estamos começando na área da herpetologia é comum irmos para campo e tentarmos identificar os sons que ouvimos nos brejos. Mas e quando ouvimos um aglomerado de cachorros no meio de um açude? De início realmente podemos confundir, mas quando descobrimos que esse som vem de uma rãzinha de 3 cm ficamos impressionados com a potência da sua vocalização e não esquecemos jamais de quem é!


Physalaemus cuvieri - padrão encontrado em alguns machos. Fotografia: Bruno Corrêa.


O nome dessa espécie é Physalaemus cuvieri, mas também podemos chamar carinhosamente de rã-cachorro. São anuros com uma distribuição ampla pelo Brasil, mas também possuem passaporte para outros países, como Bolívia, Paraguai, Argentina, Venezuela e Guiana Francesa (Frost, 2014). Possuem uma dieta baseada em insetos (Santos et al., 2004; Solé et al., 2005) e está associada a formações abertas, corpos hídricos artificiais, pastagens e até em áreas antropizadas (Dixo & Verdade, 2006; Brandão & Álvares, 2016).


A reprodução dessa espécie é algo bastante interessante, reproduzem na época das chuvas em poças temporárias ou permanentes e as fêmeas não depositam seus ovos na água, como na maioria dos anfíbios anuros, elas fazem um ninho de espuma branca que funciona como proteção contra predadores (Haddad & Sazima, 1992) e ajuda a manter a umidade para o desenvolvimento dos ovos e dos recém metamorfoseados.


Além disso, seu desenvolvimento é rápido, cerca de 72 horas os ovos já eclodem! Sendo um dos motivos de ser uma espécie abundante e com sucesso em ambientes antropizados (Andrade, 1995).


Macho de P. cuvieri vocalizando. Fotografia: Bruno Corrêa.


Por fim, apesar de ser uma espécie comum, ela continua merecendo nossa atenção, já que os anuros estão intimamente ligados à água e em geral são bioindicadores da qualidade do ambiente, promovendo vários serviços ecossistêmicos, como por exemplo, o controle de insetos!


Referências:

Andrade, G. V. D. (1995). A história de vida de Physalaemus cuvieri (Anura: Leptodactylidae) em um ambiente temporário.

Brandão, R. A., Maciel, S. & Álvares, G. F. R. 2016. Guia dos Anfíbios do Distrito Federal, Brasil. Disponível em www.lafuc.com Acesso em 19/08/19.

Dixo, M., & Verdade, V. K. (2006). Herpetofauna de serrapilheira da reserva florestal de Morro Grande, Cotia (SP). Biota Neotropica, 6(2), 1-20.

Haddad, C. F. B., & Sazima, I. (1992). Anfíbios anuros da Serra do Japi. História Natural da Serra do Japi: Ecologia e preservação de uma área florestal do Sudeste do Brasil, 188-211.

Santos, E. M., Almeida, A. V., & Vasconcelos, S. D. (2004). Feeding habits of six anuran (Amphibia: Anura) species in a rainforest fragment in Northeastern Brazil. Iheringia. Série Zoologia, 94(4), 433-438.

Solé, M., Beckmann, O., Pelz, B., Kwet, A., & Engels, W. (2005). Stomach-flushing for diet analysis in anurans: an improved protocol evaluated in a case study in Araucaria forests, southern Brazil. Studies on Neotropical Fauna and Environment, 40(1), 23-28.

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