top of page

Aspronema dorsivittatum (Cope, 1862): UMA REPRODUÇÃO DIFERENCIADA

Texto: Débora Cristina B. M. de O. Santos


Será que todos os répteis nascem de ovos? A resposta é: não! Vem conhecer uma espécie de lagarto que foge a essa regra de um modo especial.

A espécie


A espécie Aspronema dorsivittatum (Cope, 1862), também conhecida como briba-da-montanha, é um lagarto pequeno que mede no máximo 84 mm e ocorre na América do Sul. É geralmente encontrado em meio à vegetação rasteira de ambientes abertos, mas também ocorre em ambientes de floresta.

Figura 1. Briba-da-montanha (Aspronema dorsivittatum). Autor: Thiago Silva-Soares (modificada) (Instagram: @thiagobiotrips).

Distribuição


Aspronema dorsivittatum pode ser encontrada em diferentes altitudes, desde o nível do mar até a mais de 2000 metros. Possui uma grande área de ocorrência, sendo encontrada na Argentina, Bolívia, Brasil, Paraguai e Uruguai. No Brasil é possível encontrá-la em todos os estados das regiões sudeste, centro-oeste, sul e também nos estados do Tocantins e Bahia.

Alimentação


Quanto à alimentação, a briba-da-montanha consome artrópodes, como aranhas, tatuzinhos-de-jardim (crustáceos) e insetos. É uma espécie considerada generalista e oportunista, ou seja, sua dieta depende do alimento disponível no ambiente. Além disso, fêmeas e machos podem apresentar diferenças em suas preferências alimentares. Enquanto os machos preferem aranhas, as fêmeas preferem tatuzinhos-de-jardim, por exemplo.

Reprodução


A briba-da-montanha é uma espécie vivípara, ou seja, não nasce de ovos. Os filhotes se desenvolvem dentro do corpo materno e já nascem formados. A viviparidade não é tão incomum em lagartos e serpentes, mas em A. dorsivittatum e outras espécies da mesma família (Mabuyidae) essa reprodução ocorre de forma diferente.


Em geral, lagartos e serpentes vivíparos são o que chamamos de lecitotróficos. Calma, não se assuste. Isso só quer dizer que dentro do corpo da mãe cada embrião é nutrido por meio de um saco vitelínico (como uma gema) durante todo o desenvolvimento. Já A. dorsivittatum é placentotrófica, os embriões são nutridos diretamente pela mãe por meio de uma placenta. Sim! Semelhante a nós, humanos, e a diversas outras espécies de mamíferos.


O tempo de gestação nessa espécie dura cerca de 11 meses e os filhotes nascem no verão. Quanto ao número de filhotes, algumas evidências sugerem que esse número varia de acordo com a altitude, sendo menor em altitudes mais elevadas. Porém, essa variação pode ser devido ao menor tamanho corporal dos indivíduos em altitudes mais elevadas, pois, nesta espécie, o número de filhotes é positivamente relacionado ao tamanho da fêmea. Ou seja, quanto maior a fêmea, mais filhotes ela produz e vice-versa.


Ainda existem poucos estudos sobre A. dorsivittatum e não conhecemos a fundo a biologia e a ecologia da espécie. Com isso, muitas perguntas surgem, como por exemplo, por que os indivíduos são menores em altitudes elevadas? Será por causa da temperatura? Ou será pela disponibilidade de alimento? Ou como é o crescimento populacional das populações de altitude comparado às populações de regiões mais baixas? Mas, somente com mais estudos poderemos responder a essas perguntas.


Referências

ALÉS, R. G.; ACOSTA, J. C.; BASSO, M. Confirmación de la presencia de Aspronema dorsivittatum Cope, 1862 (Squamata: Scincidae) en la provincia de San Juan. Cuadernos de Herpetologia, v. 34, n. 2, p. 325-327. 2020.

COSSOVICH, S.; AUN, L.; MARTORI, R. Análisis trófico de la herpetofauna de la localidad de Alto Alegre (Depto. Unión, Córdoba, Argentina). Cuadernos de Herpetología, v. 25, n. 1, p. 11-19. 2011.

COSTA, H. C.; BÉRNILS, R. S. Répteis do Brasil e suas Unidades Federativas: Lista de espécies. Herpetologia Brasileira, v. 7, n. 1, p. 11-57. 2018.

NOGUEIRA, C.; VALDUJO, P. H.; FRANÇA, F. G. R. Habitat variation and lizard diversity in a Cerrado area of Central Brazil. Studies on Neotropical Fauna and Environment, v. 40, n. 2, p. 105-112. 2005.

ORTIZ, M. A.; BORETTO, J. M.; IBARGÜENGOYTÍA, N. R. Reproductive biology of a viviparous lizard (Mabuya dorsivittata) from the subtropical Wet Chaco of Argentina: geographical variations in response to local environmental pressures. Anais da Academia Brasileira de Ciências, v. 91, n. 1, p. 1-16. 2019.

RIOS, C. H. V. et al. Communities and occurrences of Squamata reptiles in different vegetation types of the Serra de São José, Minas Gerais, Brazil. Biota Neotropica, v. 17, n. 1 p. 1-11. 2017.

VRCIBRADIC, D.; CUNHA-BARROS, M.; ROCHA, C. F. D. Ecological observations on Mabuya dorsivittata (Squamata; Scincidae) from a high altitude habitat in south-eastern Brazil. Herpetological Journal, v. 14, p. 109-112. 2009.

VRCIBRADIC, D.; ROCHA, C. F. D. An overview of female reproductive traits in South American Mabuya (Squamata, Scincidae), with emphasis on brood size and its correlates. Journal of Natural History, v. 45, n. 13-14, p. 813-825. 2011.

WINCK, G. R.; ROCHA, C. F. D. Reproductive trends of Brazilian lizards (Reptilia, Squamata): the relationship between clutch size and body size in females. North-Western Journal of Zoology, v. 8, n. 1, p. 57-62. 2012.

374 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo

コメント


bottom of page