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ANFÍBIOS E SEUS VENENOS

Texto: Giulia S.Marchiori


Existe muito misticismo ligado aos sapos e seus venenos, então para que isso possa mudar um pouco, vamos durante essa matéria descobrir o que é esse veneno e como ele pode afetar os humanos.

Figura 1. A foto mostra um Rhinella dipytcha, popularmente chamado de sapo-cururu, a imagem mostra sua glândula de veneno localizada atrás dos olhos. Foto tirada em Goiás na Serra da Mesa. Autor: Thiago Silva Soares.


Vamos começar falando da pele dos anfíbios. Diferente dos répteis, os anfíbios possuem uma pele fina e permeável, com alta sensibilidade à dessecação e substâncias tóxicas ( por isso antes de manipular um anfíbio garanta que sua mão esteja livre de substâncias, inclusive repelentes). Porém, esta pele também possui um arsenal de glândulas e mecanismos essenciais para vida dos anfíbios, como por exemplo a lubrificação da pele e a produção ou armazenamento de substâncias de defesa.


Muitas dessas substâncias são venenosas, e a composição pode variar dependendo de onde esses animais vivem, o que eles comem, entre outros fatores. A variação dessas toxinas é tão grande que mesmo que sejam da mesma espécie podem possuir composições químicas diferentes. Mas o que normalmente predomina são proteínas com ação enzimática, lipídios, carboidratos e alguns outros componentes.


E aí? Será que eles trazem grandes problemas para nós humanos? A verdade é que a grande maioria desses animais não possuem veneno e os que possuem normalmente está atrelado ao mecanismo de defesa contra predadores, parasitas e microrganismos, então suas glândulas só liberam o veneno quando são pressionadas, como por uma mordida por exemplo. Então estes venenos só causam problemas para nós quando entram em contato com a mucosa ou feridas abertas, e ainda assim é bem provável que cause apenas uma leve irritação. Então, sempre após a manipulação de um anfíbio lave bem as mãos.


Existem também benefícios dessas substâncias para a indústria farmacêutica, por terem compostos químicos que se mostram eficientes contra fungos, bactérias e outros agentes causadores de doenças.


Sim, também existem sapinhos que são perigosos, só que não são maioria e nem são comuns de encontrar e terem contato com pessoas. Por isso, se você não tiver conhecimento sobre o potencial perigo do animal , o mais sensato é respeitar o espaço dele e não pegá-lo, excluindo a possibilidade de acidentes.


Por fim, além de saber que não são animais perigosos, devemos pensar que estes animais são importantes para o equilíbrio da natureza fazendo parte da dieta de animais maiores e predando animais menores, como os insetos por exemplo.


Referências:

Centro nacional de pesquisa e conservação de répteis e anfíbios. RAN. ICMBio-MMA. Anfíbios. Disponível em: https://www.icmbio.gov.br/ran/anfibios.html . Acesso em : 28 Jan. 2022.

FIORAVANTI, C. Venenos mutantes. Revista pesquisa FAPESP. 2011. Disponível em: https://revistapesquisa.fapesp.br/venenos-mutantes/ . Acesso em: 01 Fev. 2022.

RODRIGUES, M.F. Campus de Botucatu estuda substância do veneno de sapos. UNESP. 2005. Disponível em: https://www2.unesp.br/portal#!/noticia/515/--startfragment---icampus-i-de-botucatu-estuda-substancias-do-veneno-de-sapos-/ . Acesso em: 30 Jan. 2022.

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