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AMPLEXO, O ABRAÇO DO AMOR


Texto: Ethél Viana


Cheirinho de amor no ar entre os anfíbios? Temos sim! Todo mundo curte um abraço do seu parceiro, com os anfíbios anuros não é diferente, o amplexo ou abraço nupcial é um passo importante na reprodução desses animais.


Phyllomedusa burmeisteri em amplexo. Fotografia: Thiago Silva-Soares


Sabe-se que no mundo animal vale tudo para atrair uma parceira, sendo as estratégias reprodutivas variadas e complexas, a maioria dos casos temos a famosa corte, e nesse jogo de sedução, onde o macho se exibe para a fêmea, é uma etapa crucial para que o acasalamento aconteça. É claro que com os anfíbios anuros não poderia ser diferente, seus métodos reprodutivos podem ser, desde a vocalização, até brigas com outros machos, ou alguns sinais corporais.


A vocalização com fins reprodutivos dos anuros serve como forma de atração de fêmeas e identificação de machos. Na maioria dos anfíbios a fecundação é externa, acontecendo quando o macho abraça a fêmea e usa seus membros peitorais para segura-la, esse ato é conhecido como “amplexo nupcial”.


Por incrível que pareça, esse amplexo pode durar horas, ou até dias, mas é claro que isso vai depender da espécie. A fêmea secreta um muco de aspecto esbranquiçado, que ambos transformam em espuma batendo-o com os membros traseiros. Então, finalmente, os ovúlos são depositados em grande número nesta secreção e o macho libera os espermatozoides em cima dos óvulos, fecundando-os.


Após os girinos eclodirem, eles caem na água com o auxílio dessa espuma. Depois da fecundação, na maioria das espécies, ocorre um cuidado parental com os ovos, tudo em prol da propagação da espécie. Este é um exemplo de uma das inúmeras formas, de atração entre machos e fêmeas, fecundação e oviposição.

Como ocorre a comunicação entre os anfíbios para que o amplexo aconteça?

Muitas pessoas acreditam que não há comunicação entre os animais, mas estão muito enganadas. Na reprodução dos anfíbios a comunicação é um ato importante e necessário entre eles, pois é com ela que eles vão trocar informações importantes para que a cópula ocorra.


É possível reconhecer que eles possuem diferentes vocalizações durante sua época reprodutiva, como por exemplo, o canto de anúncio emitido geralmente por machos para atrair as fêmeas e também avisar a outros machos da ocupação do local; há, também, o canto de corte que é usado a pequenas distâncias entre os anfíbios, considerado uma prévia do amplexo, esse canto estimula e orienta a fêmea para que ela chegue até o macho.


O canto de soltura ocorre quando o macho “abraça” outro macho por engano, ou quando uma fêmea é tocada e ela não está madura sexualmente para a realização do amplexo.


Sphaenorhynchus prasinus vocalizando. Fotografia: Thiago Silva-Soarres.


Apesar da ausência de vocalização ser raro de acontecer, existem formas alternativas de comunicação entre essas espécies, como a comunicação visual, comunicação química e comunicação tátil. Além de utilizarem ruídos intensos ou sempre o mesmo local de reprodução. De modo que é de extrema importância o estudo dessas espécies para se compreender todas as suas variações fisiológicas, comportamentais e ecológicas.


Referências:

Faleiro, A. C.; Recchia, M. D. P.; Moraes, R. L. & Júnior, Z. F. 2005. Relato de observação de espécimes de anura na Mata Atlântica do Paraná. Revista Uningá. 96p.

Ricardino, J. S. 2015. Evidências de individualização, mas não de assinatura vocal nos cantos de quatro hilídeos neotropicais. Alfenas, MG.

Torres, Camila Inés Zornosa 2016. Comunicação acústica em anuros com especial enfoque para: evolução de perda da vocalização de anúncio e presença de vocalização de corte em Bokermannohyla luctuosa. Campinas, SP.

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