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A SINFONIA DO CONQUISTADOR SAPO


Texto: Izadora Silveira


Você já ouviu a melodia do “canto” dos sapos? Esse canto é chamado de vocalização ou coaxo e tem uma função muito importante na natureza. Quer saber qual é? Então vamos lá!


Cortejo das fêmeas

Para toda conquista existe uma estratégia. Quando estamos a fim de alguém a gente curte algumas fotos, manda mensagem ou chama para sair. Os sapos também têm seus métodos! Eles coaxam (Figura 1) intensa e insistentemente (à luz do luar na maioria das vezes) na tentativa de atrair as fêmea para reprodução (Figura 2).


Figura 1: Scinax similis vocalizando em folha de bromélia. Fotografia: Thiago Silva-Soares.


Na beira da água

Eles ainda protegem o território. Os sapos são extremamente territorialistas e defendem a área em um raio de até dois quilômetros e se por acaso aparecer um invasor, ele coaxa em advertência como quem diz “Não chega perto. A área é minha!” e se não resolver eles partem para uma luta corporal. E acredita que dois sapos machos podem quase entrar em amplexo? Ou seja, quando um macho confunde um outro macho com uma fêmea e tenta se reproduzir. Para isso existe o canto de soltura, que adverte o macho.


O ciclo

A vocalização também pode ter um efeito contrário. Os sapos podem ser predados. E um de seus principais predadores é o morcego, que utiliza o coaxo para localizar este animal. Além da localização o morcego consegue identificar o tamanho e força da presa.


Para lidar com predadores existe ainda o canto agonístico, que emitido por machos e fêmeas quando estão sendo predados, podendo ajudar a confundir predadores que se orientam pela audição e de avisar que existe algum predador por perto.


Educação ambiental

Se um dia perceber que um sapo está vocalizando, deixe que ele alcance seu objetivo. Ele está se esforçando para perpetuar sua espécie, mesmo que isso custe a sua vida. Esperamos ansiosos o nascimento de pequenos girinos.


Figura 2: Boana albomarginata em amplexo. Fotografia: Leticia Watanabe.




Referências

Crump, M. L. 1974. Reproductive strategies in a tropical anuran community. Miscellaneous Publication Museum of Natural History, University of Kansas, 61:1-68.


Duellman, W. E; Trueb, L. 1986. Biology of amphibians. McGraw-Hill, New York.


Fadel, R. Disponível em: <http://projetofilos.com.br/2018/06/o-que-nos-conta-o-canto-dos-anfibios> Acesso em: 26 de novembro de 2019.


Muniz, S. Disponível em: <http://www.biofaces.com/post/36296/amplexo> Acesso em: 26 de novembro de 2019.

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PARCEIROS

Apoio: Edital FAPES/VALE/FAPERJ Nº 01/2015 – PELOTIZAÇÃO, MEIO AMBIENTE E LOGÍSTICA.

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