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Apoio: Edital FAPES/VALE/FAPERJ Nº 01/2015 – PELOTIZAÇÃO, MEIO AMBIENTE E LOGÍSTICA.

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TUDO JUNTO E MISTURADO?



Texto: Bryan da Cunha Martins


A ecologia é a ciência que estuda as condições de existência dos seres vivos, as interações existentes entre esses seres vivos e o meio onde vivem. Desta forma, podemos enquadrar os seres vivos dentro de algumas categorias com relação ao meio onde vivem, são elas: nativos, endêmicos, exóticos e invasores. Você quer saber o que significam estes nomes? E será que todas as espécies podem viver “junto e misturado”? Então vem com a gente!


Espécies listadas no texto.


Animais nativos

Animais nativos são aqueles que vivem em um determinado ecossistema ou região. Temos como exemplo a espécie Boa constrictor, nossa belíssima Jiboia (figura 1a). Este animal pode ser encontrado em praticamente todos os biomas (exceto o Pampa), desta forma, é um animal nativo do Brasil, mas que possui uma ampla distribuição geográfica, o que difere dos...


Animais endêmicos

Você lembra que espécies nativas podem ter uma ampla distribuição geográfica? Pois bem, com as espécies endêmicas é o contrário! Espécies endêmicas são restritas a pequenas áreas. Essa restrição, por exemplo, pode se dar por uma barreira física (cadeia de montanhas ou corpos hídricos). Um exemplo de espécie endêmica é Cycloramphus bandeirensis (figura 1b), um anfíbio anuro que só ocorre na região da Serra do Caparaó, entre os estados de Espírito Santo e Minas Gerais.


Animais exóticos

Muitos podem pensar em animais exóticos como sendo aqueles animais bonitões, né? Faz sentido, sabe por quê? Porque estes animais tidos como “bonitões”, muitas vezes, são adquiridos para serem usados como animal de estimação. Você pode achar que não há problema nisso, e de fato “não tem”, até que um desses animais fuja ou é solto em um habitat onde não é nativo, como no caso da espécie Pantherophis guttatus (figura 1c), popularmente conhecida como cobra do milho, é uma serpente nativa dos Estados Unidos que já foi encontrada nos estados de São Paulo, Bahia e Minas Gerais (Zona da Mata). Mas essa não é a única forma de introdução de animais exóticos em habitats não nativos! Estes animais podem ser deslocados de uma área a outra sem querer, como é o caso da espécie Hemidactylus mabouia (figura 1d), nossa querida lagartixa de parede. Este lagarto veio do continente Africano, possivelmente, com as primeiras navegações e navios negreiros, onde podia facilmente entrar nas embarcações e serem transportadas e introduzidas fora de seu ambiente natural.


A fauna exótica não necessariamente causa prejuízo direto às espécies nativas, elas só não acontecem de forma natural em determinada região. Se ela consegue se estabelecer nessa região, isso significa que existem “boas” condições para seu desenvolvimento. De certo modo, mesmo que não haja prejuízo direto, haverá competição por recursos, o que acaba sendo um prejuízo, uma vez que a espécie nativa passa a ter outra espécie para compartilhar recursos.


Animais invasores

Será que são aqueles que invadem? Hum... Sim! Não, pera... Elas podem não invadir por vontade própria, mas de alguma forma (geralmente por atitudes humanas) foram introduzidos em habitat não nativo. A forma de introdução é igual à da fauna exótica: pode ser intencional ou não. A diferença é que a fauna invasora é devastadora para com as espécies nativas.


Dois grandes exemplos são Lithobates catesbeianus, conhecida como Rã-touro (figura 1e), um anfíbio anuro nativo da América do Norte e a Píton birmanesa (Python bivittatus), uma serpente de grande porte nativa da Ásia (figura1f). A primeira foi introduzida em diversos países (incluindo Brasil) para ser apreciada na culinária. Atualmente disputa território, alimento, se reproduz rápido e preda espécies nativas, um prejuízo imensurável à estas espécies. Já a serpente foi introduzida nos EUA para ser utilizada como pet. Atualmente domina os pântanos norte americanos predando, praticamente, qualquer coisa que passe pela frente, inclusive crocodilianos.


As espécies invasoras podem necessitar de muito mais recursos; captar estes recursos de forma muito rápida; se reproduzirem muito (o que diminui a capacidade de suporte do ambiente) tornando os recursos mais escassos e gerando interações desarmônicas como competição e até mesmo predatismo. Todos estes fatores podem levar à extinção espécies nativas, afinal, as espécies invasoras estão em segundo lugar no ranking de fatores que causam a perda da biodiversidade, atrás somente do desmatamento.


Referências

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ASSIS, Clodoaldo Lopes de; GUEDES, Jhonny José Magalhães; LUZ Sofia; FEIO, Renato Neves. Herpetofauna da Zona da Mata de Minas Gerais. 1 ed. Viçosa-MG, UNF, 2018.

CASSINI, Sérvio Túlio. Ecologia: conceitos fundamentais. Vitória-ES, UFES, 2005.

COSTA, H. C; BERNILS, R. S. Répteis do Brasil e suas Unidades Federativas: Lista de espécies. Herpetologia Brasileira. v. 8, n. 1 p. 11-57. 2018.

CRUZ, Carlos Alberto Gonçalves, FEIO, Renato Neves. Endemismos em Anfíbios em Áreas de Altitude na Mata Atlântica no Sudeste do Brasil. Herpetologia no Brasil. Disponívem: < http://sbherpetologia.org.br/wp-content/uploads/2016/10/2-Endemismos.pdf> Acesso em 04 de abr. 2019.

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PENSAMENTO VERDE. Os animais silvestres brasileiros. Disponível em: <https://www.pensamentoverde.com.br/meio-ambiente/os-animais-silvestres-brasileiros/> Acesso em: 09 de abr. 2019.

PLANETA BIOLOGIA. Relações desarmônicas. Disponível em: <https://planetabiologia.com/relacoes-desarmonicas/> acesso em 25 de abr.2019.

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