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RÃ-COQUI: UM CANTO PARA DOIS PÚBLICOS

Texto por: Katarine N. Norbertino



A rã-coqui (Eleutherodactylus coqui) pertence à família Eleutherodactylidae. É nativa do Porto Rico, mas introduzida na Costa Rica e em algumas áreas da região sul dos Estados Unidos. Seu nome popular é em virtude do seu canto bastante característico, composto por duas notas bastantes distintas: uma equivalente a “co” e outra nota equivalente a “qui”.


É de conhecimento amplo que o canto de anúncio tem tanto a função de atrair fêmeas para o acasalamento, quanto para demarcar presença do macho vocalizador para outros machos. A rã-coqui vocaliza em árvores altas e a distribuição da vegetação permite que os machos fiquem segregados, vocalizando a uma distância média de cerca de três metros.



Narins e Capranica, em 1978, ao realizarem um estudo comportamental, com machos e estímulos em playbacks, identificaram que esses quando apresentados a cantos com maior intensidade (que simula um macho vocalizador mais próximo) apresentavam cantos somente com a nota “co”. Essa mesma resposta também foi relatada para machos que foram expostos a cantos que continham somente a nota “co”. Por sua vez, quando expostos a cantos contendo somente a nota “qui”, não houve respostas significativas apresentadas pelos machos estudados. 




Figura 1. Sonograma (acima) e Spectrograma (abaixo) indicando dois cantos de anúncio de Eleutherodactylus coqui e suas respectivas notas “co” e “qui”. (Fonte: BENEVIDES JR. & MAUTZ, 2014, p. 5).


Os mesmos autores, em 1980, descobriram que há diferenças entre machos e fêmeas e E. coqui nos componentes sensitivos do ouvido interno (mais especificamente na papilla basal) na recepção das ondas sonoras do canto. Suspeita-se que, a emissão de notas “co” na interação entre machos, sirva de pré-aviso, podendo evitar interações agonísticas entre os mesmos. Esse é um dos raros casos em que um canto de anúncio pode cumprir duas funções notadamente distintas, e demonstra que, no âmbito da bioacústica, a complexidade relacionadas a essa comunicação é muito mais complexa do que se imagina.




REFERÊNCIAS 


BENEVIDES JR, F. L.; MAUTZ, W. J. Temporal and spectral characteristics of the male Eleutherodactylus coqui two-note vocalization in Hawaii. Bioacoustics, v. 23, n. 1, p. 29-38, 2014.


FROST, D. R. Amphibian Species of the World: an Online Reference. Version 6.2 (17, jul. de 2023). American Museum of Natural History, New York, USA, 2023. Disponível em: http://research.amnh.org/herpetology/amphibia/index.html. Acesso em: 17 jul. 2023.


NARINS, P. M.; CAPRANICA, R. R. Sexual differences in the auditory system of the tree frog Eleutherodactylus coqui. Science, v. 192, n. 4237, p. 378-380, 1976.


NARINS, P. M.; CAPRANICA, R. R. Communicative significance of the two-note call of the treefrog Eleutherodactylus coqui. Journal of comparative Physiology, v. 127, p. 1-9, 1978.


NARINS, P. M.; CAPRANICA, R. R. Neural adaptations for processing the two-note call of the Puerto Rican treefrog, Eleutherodactylus coqui. Brain, Behavior and Evolution, v. 17, n. 1, p. 48-66, 1980.





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