QUAL A RELAÇÃO ENTRE UM FILME E UMA ESPÉCIE DE IGUANA?


Texto: Bryan da Cunha Martins


Fala “aê”, tudo certo? Este título pode despertar bastante curiosidade, não é mesmo? Certamente eu ficaria curioso! Pois bem, não é clickbait. Veremos, adiante, como a produção de um filme (MUITO FAMOSO) foi imprescindível para a ampliação do conhecimento científico sobre a herpetologia. Vamos nessa!?


Figura 1: Brachylophus vitiensis posando para foto. Fonte: Sharon Omondi


Onde tudo começou

Curioso para saber o nome do filme, né? Vamos ver se vocês acertam: é um clássico do cinema; passou inúmeras vezes na Sessão da Tarde; é um filme da década de 80. Já sabe qual é? Se você disse “A Lagoa Azul”, acertou em cheio! Acho que a maioria dos que lerão este deve ter assistido a esse filme. Eu garanto de quatro a cinco “assistidas”.


Tudo começou em 1980, quando o filme foi lançado nos cinemas. Uma espécie de iguana aparecia frequentemente nas cenas do filme, o que intrigou o herpetólogo americano John Gibbons. Gibbons não reconheceu a espécie, então realizou uma pesquisa bastante aprofundada para ver se encontrava algo sobre, e não encontrou. A partir deste momento, Gibbons passou a acreditar que se tratava de uma espécie ainda desconhecida da ciência e decidiu ir à Fiji (país onde o filme foi gravado) averiguar.


Excursão para Fiji e descrição da espécie

O artigo saiu bem rapidamente (1981). Durante este tempo, Gibbons foi para Fiji e começou um minucioso trabalho de campo à procura da espécie. Diferente do que você pode estar pensando, Gibbons não foi à ilha onde o filme foi gravado (Ilha das Tartarugas, Fiji), e sim para a ilha de Yadua, por indicação de Fergus Clunie, curador do Museu de Fiji, localizado na cidade de Suva. Apesar disso, o holótipo (primeiro espécime encontrado e utilizado para descrição) só foi encontrado nas Ilhas Yaduataba.


A pesquisa contou com a ajuda de diversas partes: Do Museu de Fiji; do co-proprietário da Ilha de Yaduataba; da Universidade do Sul do Pacífico, localizada em Suva, Fiji; do Museu de Zoologia Comparada da Universidade de Harvard, em Massashuchetts, EUA, onde o holótipo foi depositado; do British Museum (Museu Britânico), localizado em Londres, Inglaterra, onde os parátipos (demais espécimes utilizados na descrição) foram depositados; além dos populares que foram muitos hospedeiros (palavras de Gibbons).


O nome dado à espécie foi Brachylophus vitiensis, uma homenagem à Viti, nome fijiano de Fiji.

Apesar de ter sido descrita “recentemente” e de sua população possuir mais do que 10 mil indivíduos, a espécie se encontra criticamente ameaçada pela IUCN. Este fator pode estar relacionado à agressividade dos machos dominantes que suprimem o desenvolvimento e reduzem a sobrevivência dos jovens, diminuindo a população de machos. Outro fator que pode influencia é a possível baixa var