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NO MUNDO DOS SAPOS TAMANHO É DOCUMENTO?



Texto: Leticia Watanabe


Você já ouviu falar do gênero Brachycephalus? Sabia que ele abriga espécies minúsculas de anuros, com menos de 10 mm? E que algumas dessas espécies vivem no Brasil??


O gênero Brachycephalus (família Brachycephalidae) contém um grande número de espécies de sapos e possui uma variedade marcante de morfologias, ou seja, muitas formas distintas. Em média, o maior tamanho atingido por eles é de 9 a 10 milímetros. Não, você não leu errado, é isso mesmo! Você consegue imaginar um sapinho diminuto desses, vivendo em um ambiente tão hostil e selvagem quando uma floresta? Difícil, não é?


Brachycephalus alipioi. Fotografia: Thiago Silva-Soares.


Mesmo em meio a tantas adversidades, esses sapinhos vivem e sobrevivem na Mata Atlântica. As populações estão restritas às encostas, topo de morros, serapilheiras e embaixo de folhas. São difíceis de serem vistos, mas habitam florestas do Rio de Janeiro e também foram descobertos recentemente no Espírito Santo.


Pequeninos, mas venenosos!

Mas não é só o padrão de corpo bastante reduzido que torna esse gênero único! Sua coloração chama muito a atenção e varia de tons de amarelo, marrom e até um laranja muito vibrante, como vemos na espécie Brachycephalus alipioi . Acredita-se que essas colorações sejam devido à presença de toxinas específicas na pele, no fígado e em outros órgãos. Até o momento, infelizmente, não há consenso na comunidade científica sobre as possíveis consequências comportamentais e ecológicas dessas toxinas nas diferentes espécies (mas já isso é assunto para outra matéria!).


Os Brachycephalus são popularmente conhecidos como sapos-pulga, e as singularidades não param por aí: eles apresentam também adaptações bastante interessantes quanto à quantidade de ossos presentes em seu corpo. Esse tamanho reduzido que falamos anteriormente tem um nome: miniaturização! Essa miniaturização nada mais é que o processo evolutivo que leva a um tamanho corporal extremamente pequeno. Logicamente, se o tamanho do corpo muda, mudará também uma série de outras características morfológicas, fisiológicas e até ecológicas.


Mudanças no esqueleto

O esqueleto desses animais é a região que mais sofre modificações devido à miniaturização. Pode ocorrer fenômeno chamado hiperossificação, ou seja, o amplo crescimento dos ossos ou a sua calcificação excessiva. No entanto, também pode acontecer o contrário, uma redução da ossificação no crânio, nas vértebras e até nos ossos das mãos e dos pés. Assim, o número de dedos, tanto nas mãos quanto nos pés, pode variar entre as espécies e pode ser reduzido ou mesmo ausente. O porquê disso tudo continua incerto!


Tamanho não é documento nem para os sapos!

Uau! Aposto que você não tinha ideia de como esses sapinhos são curiosos de se estudar! Até os indivíduos mais pequeninos são muito bem adaptados para o ambiente em que vivem, assim como para as relações ecológicas que estabelecem com o meio. Mesmo os menores dos vertebrados tem uma importância gigantesca para o equilíbrio do ecossistema.


Brachycephalus mirissimus. Fotografia: Luiz Fernando Ribeiro.


Referências

CONDEZ, Thais Helena. Diversidade, distribuição e diversificação do gênero Brachycephalus Fitzinger, 1826 (Anura: Brachycephalidae). 2014. 144 f. Tese - (doutorado) - Universidade Estadual Paulista, Instituto de Biociências de Rio Claro, 2014. Disponível em: <http://hdl.handle.net/11449/122105>. Acesso em: 24 março, 2019.

Menor espécie de sapo do Brasil é registrada no ES, diz pesquisadora. Disponível em: <http://g1.globo.com/espirito-santo/noticia/2012/03/menor-especie-de-sapo-do-brasil-e-registrada-no-es-diz-pesquisadora.html>. Acesso em: 24 março, 2019.

YAMADA, Juliana Yuri. Filogenia Molecular de Brachycephalus (Anura: Brachycephalidae). Tese – (mestrado) – Universidade Estadual de Campinas, 2017.

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