MOÇO, DEIXE A SERPENTE PASSAR!


Texto: Jéssica Mascarello


Ao percorrer as rodovias no país, você já reparou na quantidade de animais mortos em decorrência de atropelamentos? Duvido que ao parar para pensar não tenha vindo nenhum animal atropelado em mente. Pois é, no Brasil a cada segundo 15 animais silvestres são atropelados e ao final de um ano, até 476 milhões de atropelamentos são contabilizados. Quem sofre mais com os atropelamentos são os pequenos vertebrados (ex. anfíbios) e os vertebrados de médio porte (ex. alguns répteis e mamíferos) tais como, serpentes, lagartos, gambás e cachorros-do-mato.


Placa de trânsito indicando travessia de animais silvestres. Fonte: ICMBio.


As estradas geralmente passam por fragmentos de vegetação, então é comum que ocorra a travessia de animais que ali ocorrem. Dessa forma, a herpetofauna pode ficar mais suscetível ao atropelamento devido a sua lenta locomoção, e como muitos indivíduos são pequenos, os motoristas acabam não enxergando os animais na pista, passando por cima destes. A sazonalidade também pode influenciar no atropelamento da herpetofauna, com o aumento da temperatura esses animais podem usar a pista para termorregulação e acabarem sendo atropelados. Muitos estudos mostram que a maior abundancia de atropelamentos de repteis e anfíbios acontece na estação chuvosa, visto que pode ocorrer maior oferta de alimentos na pista (ex. insetos) e, no caso de algumas espécies de anfíbios que, no período reprodutivo, podem circular pela rodovia em busca de parceiros ficando suscetíveis aos atropelados.


Atropelamento intencional de serpentes

Um caso que, infelizmente, pode ser muito comum é o atropelamento intencional, diversos estudos relatam que motoristas ao avistarem espécies não carismáticas, como as serpentes, direcionam propositalmente o veículo ao animal, causando o atropelamento intencional e, consequentemente, criminoso, pois matar a fauna nativa é de fato um crime ambiental. Em estudo realizado na Rodovia MG-010, que passa pelo Parque Nacional da Serra do Cipó, foram utilizadas cobras “falsas” para testar o atropelamento intencional, dentre o montante de 141 indivíduos atropelados, 73 foram atropelados intencionalmente pelos motoristas! O que corresponde à aproximadamente 52% da amostra. Outro estudo promoveu uma entrevista direta com motoristas, onde a maioria era do sexo masculino, e do total de 300 entrevistados, 102 afirmaram atropelar serpentes de forma intencional (cerca de 1/3 do público entrevistado), e a maior parte justificou tal ato afirmando que esses répteis são perigosos por possuírem veneno, ou seja, para eles o atropelamento seria uma forma de “proteção”.


Serpente atropelada próxima a um roedor também atropelado, em uma estrada pavimentada. Fotografia: Jéssica Mascarello.


Educação ambiental