COM TERRA ATÉ O PESCOÇO?

Atualizado: Abr 22


Texto: Ethél Viana


Um mecanismo curioso para os anfíbios sobreviverem durante a estação de seca.


Camuflagem, se fingir de morto, cores chamativas...de fato os anfíbios possuem diversos mecanismos anti-predação para sobreviver ao ambiente em que estão inseridos. Esses bichinhos são muito espertos, não é à toa que estão na Terra até hoje. Mas você já ouviu falar de estivação?


A água e a temperatura são elementos essenciais para a sobrevivência de qualquer animal, porém nos anfíbios se torna ainda mais importante pela necessidade de utilizarem para a reprodução e manter sua pele úmida. Mas, como os sapos sobrevivem em locais onde a estação seca é extremamente predominante? Bem, eles se enterram.


Figura 1. Sapo da espécie Proceratophrys cristiceps. Foto: Carlos Jared-BBC


Esse fenômeno é muito semelhante a hibernação. Essa palavra te lembra aos ursos não é mesmo? É um período em que o metabolismo desses animais opera de forma mais lenta durante o inverno, assim conseguem sobreviver por esse período onde o alimento deles é escasso. Podemos comparar esse evento a estivação nos sapos, contudo nesses pequenos animais é durante a estação de seca, vamos explicar. Assim como os ursos, os sapos reduzem as atividades metabólicas do seu corpo para que consigam se manter vivos enquanto estão enterrados na terra. Alguns estudos comprovam que esse tempo pode ser por mais de dois anos. Interessante não é mesmo?


Então, durante a seca, os sapos se enterram ou buscam locais onde a umidade e a temperatura se mantenha mais fria em relação ao meio em que se encontram. Existem casos extremos em que um sapo australiano da espécie Neobatrachus aquilonius durante um mês se prepara para a estação de seca secretando até 45 camadas de pele, essas camadas formam um casulo onde pode se proteger da seca e aguardar a chuva.


Mas vamos voltar ao Brasil, nossos anfíbios locais não possuem essa necessidade de chegar ao extremo, apenas entram em um estado de depressão fisiológica que causa uma queda no consumo de oxigênio – o que gera uma baixa de energia. E a energia que precisam advém do glicogênio e gorduras guardadas em diferentes partes do corpo durante a primavera. Mas é só começar uma chuva que os sapinhos começam a saltar do chão, prontos para se reproduzir. Enfatizamos a estação seca, porém em regiões de clima temperado, durante a estação de inverno muitos sapos também hibernam, buscam lugares como a lama macia que pode ser encontrada no fundo dos lagos.


Referências

Ferreira, R. B., Lourenço-de-Moraes, R., Zocca, C., Duca, C., Berd, K. H. & Brodie Jr, E. D. (2019): Antipredator mechanisms of post-metamorphic anurans: a global database and classification system. Behavioral Ecology and Sociobiology 73: (69) 1-21.


Lima, L. L. C, Oliveira, J. P. S., Silva, L. E. B., Santos, C. B. (2019): Características gerais dos anfíbios anuros e sua biodiversidade. Diversitas Journal 4: 774-789.



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