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O INCRÍVEL MUNDO DAS BROMÉLIAS

Você sabia que algumas espécies de Anuros (sapos, rãs e pererecas) frequentam bromélias? Uns até mesmo dependem delas para se reproduzir! Sim! Os bromelíais caracterizam-se como micro-ambiente, sendo numerosos os animais que se associam a estas plantas.


Texto: Ubiratã Ferreira Souza


Casal de Ololygon belloni em amplexo em uma bromélia-tanque no Parque Estadual do Forno Grande, Castelo, Espírito Santo. Fotografia: Thiago Silva-Soares.


A importância das bromélias para os anuros

Em espécies de bromélias da Família Bromeliaceae existem estruturas chamadas fitotelmos, são como tanques que se formam nos espaços entre as folhas e permitem o armazenamento da água da chuva. Assim, essas bromélias que são portadoras de tais estruturas são chamadas de fitotelmatas (popularmente conhecidas como bromélias-tanque). Basicamente podemos dividir os anuros que às frequentam em dois grupos; os bromelícolas e os bromelígenas.



Figura 1. Animais associados à Bromeliaceae. Ilustração: Alan Araújo.



Classificações adotadas

As espécies bromelícolas são aquelas que frequentam as bromélias, geralmente em busca de alimento, refúgio temporário ou um ambiente úmido para se abrigar logo, comumente ligado à uma escassez de água em ambientes. Um exemplo de uma espécie bromelícola é a Boana albomarginata (perereca-verde). Já as espécies bromelígenas são aquelas em que em todo o seu ciclo de vida dependem da bromélia. Das espécies bromelígenas em terras capixabas podemos citar: Dendropsophus bromeliaceus e Phyllodytes luteolus, ambas conhecidas popularmente como pererequinhas-de-bromélias.


Como a reprodução das espécies bromelígenas está ligada às Bromeliaceae? E o que aconteceria se as bromélias desaparecessem?

Bem, além da reprodução dos simpáticos anuros, outros animais também as frequentam, que vai de serpentes procurando alimentos ou proteção até microinvertebrados. E o curioso é que os microinvertebrados podem pegar carona nos anuros para se dispersar. Como os anuros pulam de bromélia em bromélia, eles se agarram em sua pele e são depositados nos tanques em que os anuros param e se abrigam, garantindo sua dispersão. E que carona, hein! Na biologia, essa relação ecológica é chamada de forésia. A forésia difere-se do parasitismo nos seguintes pontos: O ser transportado (forético) não consome nada do hospedeiro que o transporta, apenas se beneficia com a dispersão, enquanto o hospedeiro nem ganha, nem perde com isso.



Figura 2. (1) Os micro-invertebrados fixam-se na pele do anuro, (2) o anuro sai da bromélia, (3) o anuro dispersa os micro-invertebrados em outra bromélia-tanque.

Desta forma, compreender de melhor forma a relação de quais e como os grupos se relacionam nesse complexo ecossistema nos abre um horizonte mais claro para discutirmos medidas para sua conservação. De que maneira se poderíamos fazer isso?



Referências


Peixoto, O.L. 1995. Anuran association to bromeliads in the atlantic forest. Rev. Univ. Rural- Sér. Ciênc. da vida, 17 (2):75-83


Sabagh, L. T.; Dias, R. J. P.; Branco, C. W. C.; Rocha, C. F. D. 2011. News records of phoresy and hyperphoresy among treefrogs, ostracods, and ciliates in bromeliad of Atlantic forest. Biodivers. Conserv. 20:1837–1841.

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